O parto na água

Um número cada vez maior de casais decide por uma forma natural e especial de ter seus filhos. O parto na água é uma alternativa flexível, natural e humana de parir. Mas, infelizmente, até o momento, há poucos médicos no Brasil familiarizados com esse método.
Cornelia Enning, experiente obstetriz alemã e parteira da água, descreve detalhadamente os procedimentos e possibilidades de desenvolver a técnica do parto na água. Faz referências ao preparo pré-natal do casal e de seus familiares, à decoração do local do parto, às diversas opções de piscinas, banheiras, utensílios e acessórios. Passo a passo, ela descreve a evolução do trabalho de parto, o parto na água e até a primeira amamentação do bebê. Incentiva o treinamento do bebê na água após o parto.
Para a edição brasileira o médico obstetra Heinz Roland Jakobi adaptou este livro originalmente europeu à realidade brasileira, um país com muitas riquezas naturais, em especial seus recursos hídricos: o mar e os rios. Faz um breve relato da história do parto no Brasil, a situação atual do atendimento obstétrico e a prática médica recomendada para o parto na água. Relaciona endereços de profissionais, hospitais e maternidades fábricas e equipamentos que oferecem a possibilidade de desenvolver o parto na água. Além disso, relaciona site, e-mails e livros recomendados para os casais e profissionais brasileiros interessados em adotar esse método conhecido mundialmente.
 “Para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer.” Michel Odent

O nascimento do Gregório parte III - O grande dia


O nascimento do Gregório
Parte III – O grande dia
Quando cheguei ao quarto, não tinha rumo, não sabia o que tinha acontecido, me trouxeram o Gregório para eu conhecer, mas eu não podia nem me sentar, que noite esquisita estava por vir.
Gregório foi recebido pelo Dr. Maurílio hoje tio Maurílio e pelo papai Fred, que foram super acolhedores com ele.
Maurílio fez mais do que nós esperávamos dele, inseriu Fred em todo o processo da chegada, e apesar do Gregório ter nascido pequenininho, 2,600 kg e 48 cm, com dificuldade em manter a temperatura do corpo, ele optou por não medicá-lo, já que sua mãe no momento do parto recebeu 2 doses de rack e mais uma anestesia geral.
Gregório foi para a incubadora e recebeu toda a atenção do papai e do médico até que pudesse reagir espontaneamente àquela invasão toda que ele também sofreu.
Voltando a minha noite, tive muitos pesadelos e dor. Minha !salvação! foi uma enfermeira muito alto astral que me pôs em pé na manhã seguinte, me ajudou a tomar um banho. Descrevendo isso agora, me dou conta da questão mobilidade. Me perdi  quando não pude mais andar e me reencontrei nesse processo quando fiquei novamente em pé.
Bem, ai eu pude ir ao encontro do Gregório e este Foi o nosso Grande Dia, dia de religar o que havia sido quebrado, o que nos foi tirado e por força da vida, o fotografo da maternidade que estava registrando os primeiros momentos de outro bebê, nos flagrou.
Este foi o nosso grande dia, o nascimento desta dupla como mãe e filho.


O nascimento do Gregório 

Parte II- Internação e cesárea

Minhas consultas na obstetra eram sempre às segundas feiras. Depois de um final de semana chuvoso, eu com uma gripe tremenda, fomos fazer o último ultrassom com 36 semanas de gestação  para checar se o bebê estava encaixado e se estava tudo bem.
Já no ultrassom descobrimos que eu estava com a bolsa rota e que já havia perdido bastante liquido amniótico. Chegamos na consulta e antes de me ver a médica pediu que fossemos à um laboratório fazer o exame mais detalhado de cardiotoco do bebê.
La ficamos, calmos por mais ou menos 1 hora e o resultado foi ótimo, estava tudo bem com Gregório apesar de pouco liquido.
Chegamos para a consulta às 11h e 30min. e recebemos a notícia: “Este bebê deve nascer hoje: vão para casa, pequem as coisas e dêem entrada na maternidade às 15h e 30min. para realizarem a cesárea às 17h e 30min. Eu entrei em choque, não conseguia contra argumentar,não conseguia saber o que estava acontecendo, só conseguia chorar.
Pedimos socorro às avós que foram secar as roupinhas dele que ainda estavam no varal, arrumamos as coisas, avisamos o pediatra e fomos para o hospital.
Olhem para a minha cara o medo estampado, ao invés da felicidade pela chegada do Gregório.
Um casal jovem, primeira experiência, completamente desamparados.
Chegamos ao hospital, fizemos estas fotos que já estavam contratadas e seguimos aos procedimentos, o mais difícil para mim foi quando ainda no quarto foi colocada a sonda, isso foi o máximo da invasão, para os enfermeiros apenas um procedimento, para uma mulher que chegou andando ao hospital apenas para SAR a luz, o máximo da impotência e da imobilidade.
Fred não deu conta de me acompanhar, deu uma saidinha, pois estava demais também para ele. Não tínhamos idéia do que seria, quando ele chegou ao quarto não deve ter me reconhecido, pois eu também não me encontrava ali.
Como estas lembranças vêem das vísceras, ainda hoje provocam o choro e se conectam ao desamparo.
Fomos separados, entrei para a sala de cirurgia, uma jovem enfermeira me dizia porque você chora tanto,não é preciso chorar. A médica ou os médicos todos paramentados, uma sala mega iluminada e fria.
Primeira tentativa de anestesia... Segunda... Um apagão!

O nascimento do Gregório

Parte I – Busca pelo Obstetra

Em  janeiro de 2005 engravidei do Gregório,ele já existia em nossa vida a um bom tempo, fazia parte dos nossos sonhos que naquele momento se tornava real.
Na época já tínhamos a certeza da opção pelo parto normal. Conversamos com minha ginecologista que na época disse “...olha, eu não me comprometo a fazer um parto normal”, isso nos soou como uma !bomba!
Sua justificativa era de que havia se comprometido com uma outra gestante e esta havia desenvolvido uma ansiedade tão intensa que estavam ambas diariamente no hospital e esta rotina, ela não agüentava mais.
De todos os argumentos, eu sensível (gestante) como estava, só consegui ouvir: NÃO FAÇO PARTO NORMAL!
Naquele momento me esqueci de tudo que me fez, por exemplo, procurar por essa médica, as indicações, as histórias que já tinha ouvido a seu respeito.
Mas tudo isso só pude pensar anos depois!

Saímos arrasados daquele lugar, porém gratos com a sensação de que havíamos sido cuidados de maneira a não investir em um sonho impossível.
Procuramos por outro médico, que só fazia partos normais, de cócoras, etc..., porém não atendia pelo nosso convênio, ficamos um pouco amedrontados, pois arcar com tudo e o bebê nascer desassistido pelo plano não nos pareceu uma boa opção.
Chegamos então a uma obstetra que havia trabalhado por muitos anos na Maternidade Municipal (teoricamente ela tinha muitas experiências com partos normais), teoricamente, pois hoje sei que o que faz a diferença é a dupla. Sinto e não sei explicar,mas,se tivesse permanecido com a primeira médica que me conhecia a tempos, teria maior chance de ter alcançado meu sonho (Parto Normal).
Iniciamos o pré-natal, durante os noves meses em todas as consultas havia uma discreta oscilação na minha pressão arterial, que não acontecia nos demais exames e nos outros médicos que visitava para o ultrassom, o endocrinologista, e até mesmo na farmácia. Era uma ansiedade, como se a razão pudesse determinar o que seria, o fato é que nunca me senti a vontade ou completamente à vontade com esta médica.

Durante a gestação fiz hidroterapia, alongamento, grupo Unibaby, e ainda , Fred e Eu arrumamos o quarto do bebê, lixamos o seu berço que era emprestado, costurei as cortinas, bordei os lençóis, enfim, curtimos ao máximo esta gestação.
Naquela época fazia psicoterapia e trabalhei bastante  as questões referente à necessidade de controlar todas as variáveis, e em, se tratando de gravidez, isso seria impossível. Porém, tomei mais uma decisão equivocada. Como pretendia o parto normal e apenas uma anestesia seria necessária (rsrsrsrs) não fiz entrevistas previas para conhecer o anestesista. Pois as indicações eram que os anestesistas das equipes eram todos muito bons.
Hoje sei que um olhar faz a diferença, o médico que é capaz de olhar e através deste olhar tocar o paciente.

Enfim, não é preciso dizer muito do que não deu certo,mas na escolha do pediatra fomos muito felizes. Ele já foi apresentado em outra postagem do Blog: afinal toda gestante merece um pediatra.

Até loguinho...


 

O que você pôde ver, sentir, ouvir, o que você fazia naquele lugar escuro, dentro do corpo da sua mãe?
Qual foi sua sensação ao nascer?
Narrado com sensibilidade, com fotos magníficas, este é o documentário da grande aventura de nove meses, que vai da concepção até o nascimento.
DOULAS





Antigamente era muito comum que a mulher fosse amparada, apoiada, assistida por outras mulheres durante o trabalho de parto. Esta mulher geralmente era sua mãe, irmã mais velha, prima, amiga, vizinha que já tivesse vivenciado um parto ou a aprendiz de parteira. Enfim, uma pessoa com experiência. 



Com a medicalização do parto esse apoio se perdeu. Atualmente a equipe que assiste o parto é composta por médico obstetra, enfermeira, auxiliar de enfermagem e pediatra/neonatologista. Cada um tem suas responsabilidades técnicas no universo do parto e nascimento, mas nenhum deles esta à disposição para cuidar exclusivamente do bem estar físico e emocional da mulher que está prestes a dar à luz.


Neste “vácuo” surgiu o trabalho da Doula. O termo “doula” é originário do grego e significa “mulher que serve”. A doula oferece apoio físico, emocional e afetivo à mulher antes, durante e depois do trabalho de parto. Cria com esta mulher um vínculo. Oferece carinho e cuida para que agentes externos não perturbem o trabalho de parto.


Ser doula não é apenas uma profissão e sim uma vocação. Precisa ser uma pessoa que acredita que toda mulher é capaz de parir, ser apaixonada pelo nascimento humano e pela força encantadora que toda mulher tem de dar à luz seu filho. Deve entender que o parto é o momento mais importante da vida da mulher - e de seu filho.


· Hidroterapia;
· Massagem;
· Visualizações;
· Toque tranqüilizante;
· Movimentos rítmicos;
· Respiração e relaxamento;
· Sons e vocalizações;
· Posturas alternadas (o parto é um evento assimétrico);
· Acupressura.

O que a Doula não faz:



· A Doula não substitui quaisquer dos profissionais envolvidos na assistência ao parto;
· A Doula não faz exames, ausculta fetal e tampouco cuida da saúde do recém-nascido;
· Não presta suporte técnico. Sua única preocupação é com o bem estar físico, afetivo e emocional da mulher.
· Além disso, não discute procedimentos com a equipe responsável pelo parto, mas durante a gestação fornece informações para que a gestante faça suas escolhas e converse com os profissionais envolvidos;

O acompanhamento da Doula tem como finalidade ajudar a mulher a ter uma experiência positiva de parto, sentindo-se amparada e cuidada nesse momento único e especial.

Patricia Bortolotto





A Doula é o espelho da mulher durante o parto. A mulher a observa e por meio dela se tranqüiliza e acredita que tudo dará certo. Ela é responsável por trazer essa tranqüilidade ao parto por meio de seus cuidados e palavras carinhosas. Além deste cuidado para a parturiente, presta também apoio ao companheiro/pai do bebê, que muitas vezes quer ajudar sua mulher em trabalho de parto, mas não sabe como. A doula trata de envolvê-lo no processo, sugerindo que ele a abrace, que faça massagens e a apóie no momento do parto. O parto, se bem conduzido, é uma experiência muito enriquecedora na vida do casal.


Pesquisas apontam que a atuação da Doula na assistência ao parto pode:
· diminuir em 50% as taxas de cesárea
· diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
· diminuir em 60% os pedidos de anestesia
· diminuir em 40% o uso da oxitocina
· diminuir em 40% o uso de forceps.


Esses números referem-se a pesquisas no exterior, mas é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.

O QUE A DOULA FAZ:


Antes do parto


· A Doula orienta a mulher e seu companheiro sobre o que esperar do trabalho de parto, parto e pós-parto.
· Ajuda a gestante a refletir quais são seus desejos e medos, contribuindo para que a mulher se prepare física e emocionalmente para o parto.
· Além disso, indica leituras e artigos e auxilia na elaboração de um plano de parto.

Durante o trabalho de parto e parto

· A doula faz uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares auxiliando para que o ambiente seja mais acolhedor.
· Auxilia a mulher com técnicas não farmacológicas para alívio da dor, sugere posições para ajudar no bom desenvolvimento do trabalho de parto e posições para o parto, além de incentivar a parturiente a manter-se ativa durante todo o processo.
· Oferece apoio afetivo, físico e emocional não só à parturiente mas também ao seu companheiro.

Após o parto

· A doula auxilia com a amamentação e cuidados com o bebê.
· Oferece suporte para a nova família, ajudando-a a entender as mudanças que a chegada no novo membro traz ao lar.

Técnicas de apoio da doula