O nascimento do Gregório
Parte II- Internação e cesárea
Minhas consultas na obstetra eram sempre às segundas feiras. Depois de um final de semana chuvoso, eu com uma gripe tremenda, fomos fazer o último ultrassom com 36 semanas de gestação para checar se o bebê estava encaixado e se estava tudo bem.
Já no ultrassom descobrimos que eu estava com a bolsa rota e que já havia perdido bastante liquido amniótico. Chegamos na consulta e antes de me ver a médica pediu que fossemos à um laboratório fazer o exame mais detalhado de cardiotoco do bebê.
La ficamos, calmos por mais ou menos 1 hora e o resultado foi ótimo, estava tudo bem com Gregório apesar de pouco liquido.
Chegamos para a consulta às 11h e 30min. e recebemos a notícia: “Este bebê deve nascer hoje: vão para casa, pequem as coisas e dêem entrada na maternidade às 15h e 30min. para realizarem a cesárea às 17h e 30min. Eu entrei em choque, não conseguia contra argumentar,não conseguia saber o que estava acontecendo, só conseguia chorar.
Pedimos socorro às avós que foram secar as roupinhas dele que ainda estavam no varal, arrumamos as coisas, avisamos o pediatra e fomos para o hospital.
Olhem para a minha cara o medo estampado, ao invés da felicidade pela chegada do Gregório.
Um casal jovem, primeira experiência, completamente desamparados.
Chegamos ao hospital, fizemos estas fotos que já estavam contratadas e seguimos aos procedimentos, o mais difícil para mim foi quando ainda no quarto foi colocada a sonda, isso foi o máximo da invasão, para os enfermeiros apenas um procedimento, para uma mulher que chegou andando ao hospital apenas para SAR a luz, o máximo da impotência e da imobilidade.
Fred não deu conta de me acompanhar, deu uma saidinha, pois estava demais também para ele. Não tínhamos idéia do que seria, quando ele chegou ao quarto não deve ter me reconhecido, pois eu também não me encontrava ali.
Como estas lembranças vêem das vísceras, ainda hoje provocam o choro e se conectam ao desamparo.
Fomos separados, entrei para a sala de cirurgia, uma jovem enfermeira me dizia porque você chora tanto,não é preciso chorar. A médica ou os médicos todos paramentados, uma sala mega iluminada e fria.
Primeira tentativa de anestesia... Segunda... Um apagão!
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