A CRIANÇA E O ESPAÇO: ambientes saudáveis (e lindos!) parte I (palestra apresentada no café encontro do Instituto Sapere Aude)






O tema: A Criança e o Espaço, ambientes saudáveis e lindos! Procura alinhar duas vertentes de saberes, a psicologia do desenvolvimento e a decoração. Aqui, o importante a ser observado é como cada etapa do desenvolvimento infantil pode ser contemplada por uma visão estética do espaço.

O que é belo?
O que é lindo?

Simplificando: é tudo o que é agradável aos sentidos, ou seja, é algo subjetivo e imanente, pautado pelo olhar do sujeito sobre o mundo, levando em consideração o contexto histórico ao qual ele está inserido, e as suas vivências. 

Uma pessoa saudável valoriza as belas coisas da vida.

Quando falamos em decoração de quartos infantis e psicologia do desenvolvimento, pensamos logo em um quarto de bebê. O quarto do bebê está intimamente ligado à gestação.

O período da gestação é um período de estado de consciência alterado e está permeado por transformações biológicas – psíquicas – sociais. As transformações biológicas são facilmente percebidas, porém o papel psíquico e social, que permanecem num âmbito subjetivo, não são imperceptíveis, mas muitas vezes deixados de lado.

Psicologicamente, a mulher no período gestacional vive um momento regressivo e tem o aparelho sensorial totalmente ampliado e conectado diretamente com o inconsciente.

Quando visitamos uma mostra de decoração, exposição de arte, espetáculo de dança, música ou cinema, temos também nossos sentidos aguçados. Posso perguntar a vocês, agora, quais ambientes da mostra mais gostaram?!
Cada um terá a sua resposta, e se perguntarmos o por quê?, as respostas se ampliam, pois cada sujeito percebe, lê o mundo de uma forma muito particular, porém pautada por suas relações com o mundo, relações estas que se iniciam na vida intra-uterina, se ampliam muito na infância, são desconstruídas na adolescência, reconstruídas na vida adulta e revisitadas na velhice. Com isso, quero dizer que estamos em constante transformações, porém a gestação é a mais abrupta delas, provocando fortes sentimentos e sensações.

Estas percepções alteradas é que vão contribuir para a organização da decoração do quarto do bebê. Por exemplo: quando estava grávida do meu primeiro filho, saía para comprar roupa e voltava sempre com peças verdes, mas só me dei conta disso, quando meu guarda-roupa enverdeceu. Nem preciso dizer que a cor prevalecente no quarto dele foi verde.

Socialmente, a gestante é afetada pelo papel desta criança na vida do casal e/ou da família. Se for o primeiro filho ou o segundo tem diferenças, se é primeiro neto, filho do filho ou filho da filha, qual é o sexo do bebê, se a gestação foi esperada, desejada, planejada, se não foi. Se o casal já era um casal, vai tornar-se a partir da gestação ou não, vão criar o bebê vivendo separados. Enfim, o papel social da criança na vida do casal.

A partir desse contexto, podemos discutir a distância entre o filho ideal e o filho real, e aqui abrimos juntos outra discussão que é o quarto da criança ou o quarto para a criança.

Essa discussão fica para a próxima postagem, até lá.

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