PARTILHAR: O DIREITO NÚMERO 1 DO GRÁVIDO por Frederico Fernandes

À Márcia, por tudo!

A palavra “gravidez” vem do latim gravis que significa além de “grave”, “pesado”.  Sua etimologia remete diretamente à mulher que, normalmente, ganha peso durante a gestação.  Por esta lógica, o homem não necessariamente ficaria grávido durante a gestação de seu filho, apesar de não estar isento de ganhar uns quilos de emoção a mais ao longo do processo.

O envolvimento masculino ao longo da gestação é pouco partilhado cultural e  socialmente, mas as transformações pelas quais passa o futuro pai não são menos importantes.

Que papel ocupamos? Como lidamos com nossas angústias? Que espaços sociais temos para partilhá-las? Estas questões são papo de macho, mesmo que ele nunca tenha brincado de casinha! Foi pensando na minha própria trajetória de ser pai de dois meninos que comecei a me antenar para questões como essa.

O primeiro ponto a ser pensado é que  as brincadeiras infantis deixam a paternidade num segundo plano durante a gestação. Não raramente, reproduzimos nas brincadeiras o estereótipo do marido estressado na sala de espera do hospital. Do ponto de vista masculino, era chato brincar de papai e mamãe até porque o pai era o “empregado” que cumpria ordens e, quando o assunto era gravidez, ele nunca opinava nada: as meninas sempre decidiam tudo! Lembro que as meninas acabavam mesmo era brincando sozinhas enquanto íamos brincar de polícia e ladrão. Claro!

Nunca ouvi, numa roda de conversa masculina, algum amigo que tenha desabafado sobre as dificuldades durante sua gestação (pois é claro que é dele também!). Não há troca de experiências, pois o grávido emocional não tem voz! Não tem papel social! E parece que continuamos brincando de polícia e ladrão mesmo depois de adultos.

Se do ponto de vista biológico somos alienados, pois podemos ganhar barriga e peso em decorrência da cerveja, mas não do bebê em nosso ventre, isso não quer dizer que sejamos externos do ponto de vista  psicológico. Em outras palavras, estamos passando por transformações tanto quanto nossas companheiras e esposas passam  e compartilhá-las ajuda-nos a elaborar o sempre novo papel de pai que vamos desempenhar, pois cada filho é único e cada experiência de pai também. 

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