A CRIANÇA E O ESPAÇO: ambientes saudáveis (e lindos!) parte II (palestra apresentada no café encontro do Instituto Sapere Aude)

A partir deste contexto, podemos discutir a distância entre o filho ideal e o filho real, e aqui abrimos juntos outra discussão que é o quarto da criança ou o quarto para a criança.


O filho ideal se assemelha às bonecas: ensaio feminino para a maternidade, quando brincávamos de bonecas elas eram perfeitas e nós também: choravam, sentiam fome, trocavam fraldas apenas nos momentos em que nós “meninas-mães” estávamos disponíveis. E também não bagunçavam o quarto.

O filho real sente, age e reage se relaciona com as pessoas e com os espaços de maneira a interferir no funcionamento deste espaço, desta família.

Quanto muda na vida das pessoas a chegada de um filho?!

Começar a organizar o quarto do bebê é um jeito de lidar com as transformações internas, materializar algo que está por vir, exteriorizar as expectativas, elaborar sentimentos, sensações. O quarto também ajuda a construir a identidade da criança.

Através da decoração do quarto, os pais traduzem de forma estética seus sentimentos para com o bebê, sentimentos estes, que já são percebidos pelo feto através das sensações de acolhimento, prazer, alegria, e cabem aqui também os maus sentimentos.

Portanto, mesmo que o serviço de decoração do quarto do bebê seja terceirizado é muito importante que os pais se debrucem e interfiram no projeto o quanto acharem necessário.

O ambiente do quarto (casa) pode facilitar ou dificultar a adaptação do recém-nascido.

Dentro do útero, o bebê vivencia movimento o tempo todo, o movimento da vida, os barulhos do sistema digestivo da mãe, reconhece dia e noite (talvez não com a conotação que damos ao dia e a noite), os barulhos da casa, do trabalho, a chegada do pai, a presença de coisas agradáveis e desagradáveis. Ele é banhado pelo liquido amniótico e recebe, portanto, o carinho da massagem pele fetal.


Desta maneira, é importante que a rotina desta casa não mude radicalmente na chegada do bebê, como por exemplo, ser decretado o silêncio absoluto. Diminuir o volume pode ser, mas deixar de assistir o jogo de futebol do campeonato, não é necessário.

O afeto da pele fetal vivenciado pelo bebê na vida intra-uterina pode ser estimulado na vida pós-natal através das sensações, do toque, da presença e para isso é importante cuidar de alguns aspectos do quarto do bebê, como:

ü    Luminosidade do quarto;
ü    Temperatura;
ü    Tecidos utilizados nas roupas e acessórios, que o bebê vai usar.

Para a decoração podem ser pensados os seguintes recursos:

*      Usar cores mais vivas próximos ao chão do quarto e cores mais suaves na altura do berço, diferenciando o espaço de brincar e o de descansar.

*      Uso de iluminação indireta, porém valorizando a iluminação natural do quarto, isso ajuda no reconhecimento do dia e da noite.

*      Uso dos objetos necessários: por exemplo, uma cama no quarto do bebê só será necessária se o casal pretende ou necessita ter uma babá que irá pernoitar na Casa. Caso contrario este espaço pode ser reservado a brincadeira.

*      Uso de cadeira de amamentação: esta peça é muito importante, pois a amamentação e a forma pela qual o bebê se religa, recupera o vínculo com a mãe nos primeiros tempos (meses) e com a família através da mãe.

É importante observar, que esta cadeira seja grande o suficiente para caber o pai confortavelmente tendo assim um espaço confortável para ele ninar seu filho ou contar historia, enfim que este pai possa existir no contexto do bebê.

*      O berço deve ser confortável e limpo. Limpo por exemplo de muitos enfeites e pelúcias, que siga as normas de segurança para a altura das grandes e limite de distância entre os vãos das ripas. Não deve ser colocado nem próximo a janelas ou as cômodas, de maneira que quando a criança ficar em pé no berço, não possa arrastar objeto de cima da cômoda ou se pendurar na janela.

*      Os enfeites todos não devem conter fios ou fitas que ultrapassam 15cm de comprimento e conter objetos pequenos que possam ser levado a boca.

*      A substituição do berço pela cama pode ocorrer quando a criança apresenta certa firmeza no andar ou quando ela já corre risco por tentar pular a grade.

*      Andador, eu não recomendo, por propor ao bebê uma postura a qual ele não está fisiologicamente preparado para suportar. O desenvolvimento motor se dá no caminho céfalo-caudal. Primeiro, sustenta o pescoço, aos poucos vai conseguindo rolar o corpo, adquirindo equilíbrio gradativo a cada conquista motora, vira-se de bruços, fortalece os braços e pernas ao engatinhar e ganha assim, equilíbrio para ficar em pé.

*      Banheira e trocador devem ter altura confortável aos cuidadores (mãe, vó, babá, etc...), o que faz com que se torne mais seguro a criança, devemos ter tudo a mão.

*      Os temas utilizados na decoração revelam a identidade que a criança já tem nesta família, como a princesa, o jogador de futebol, o marinheiro, a moranguinho, a fada, enfim, com estes objetos, são tratados aspectos lúdicos e de estímulos ao desenvolvimento infantil.

*      Fotos de família: lugares importantes para a família podem trazer aconchego e reconhecimento, pertença.

*      Estas são algumas idéias que podem ser utilizadas na decoração de quarto de bebês, muitas outras vão surgindo quanto mais elaborado vai se tornando o lugar e participação desta nova criança em sua família.  Há também o momento em que a criança extrapola os limites do quarto e começa a imprimir o seu jeito, sua forma de fazer e se relacionar.


           Daqui em diante as necessidades passam a ser maisindividuais. E o ambiente vai se transformando na mesma velocidade em que as crianças crescem.

Assim vamos crescendo e nos relacionando...


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